sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Continuação: O Evangelho no coração da Amazônia

3. O PROJETO: INTRODUÇÃO: PREMISSAS

         Meu sonho ao decidir sair de “Nápoles” e partir para um trabalho missionário depois de conhecer este tipo de excluído era baseá-lo em 4 premissas:
         1. Teologia da libertação
         2. O leigo
         3. Uma pastoral integral
         4. Em 4 modalidades, ou formas de participação na ação missionária.

3.1. Teologia da libertação:

Foi escolhida como suporte teológico para este trabalho missionário.

3.1.1. Por 4 razões:

1ª Minha juventude Sacerdotal, Cristo, Renovação, Ditadura Militar (1964-1985)    
2ª Teologia nascida e elaborada a partir da realidade latino-americana.
3ª Nasce da consciência da exclusão, como fruto natural do sistema capitalista dominante há A.L.
4ª Tem como objetivo central o excluído, seus problemas e sua realidade conflitiva e como objetivo preferencial sua libertação do sistema que o mantém excluído.

Em que consiste: que é?
 
O que é?               
         Do que a entendemos Teologia da Libertação pretende a libertação o que não é novidade, nem nada de especial, porque liberdade e libertação é o sentido do próprio Cristo e de toda a sua ação. Cristo veio nos libertar de todo mal (Bíblia).
         O problema é que esta liberdade e libertação eram vistas só sob sua ótica e dimensão MORAL E ESPIRITUAL. E Cristo é liberdade e libertação de TODO o mal, não só o mal moral e espiritual.
         A teologia da libertação parte de dois pressupostos:

Integralidade da salvação:
         É justamente o que acabamos de falar a salvação de Cristo não é parcial, mas integral, atingindo o HOMEM TODO, todas as suas dimensões: espiritual, moral, mas também: física, e econômica, política, social, cultural, cósmico-ambiental. Tudo no homem e fora do homem- “A natureza toda sofre dores de parto...(Rm 8).

O sistema dominante em nossa sociedade, o capitalismo:
         É escravocrata e exclui a absoluta maior parte do povo dos bens produzidos pela sociedade da propriedade, provocando a pobreza. Da produção, provocando o desemprego. Do consumo, provocando a concentração da renda. Nunca tal situação e realidade o Cristianismo, para ser honesto, o consequente com a ação libertadora de Cristo e não cair num espiritualismo e moralismo estéril abstrato, puramente teórico, alienado, alienante e ópio do povo, dando razão a Karl Marx, tem que ser libertador, pleiteando a libertação integral, com forte ênfase na libertação econômica, social, política e cultural, mas não se reduzindo só a ela.
         Como a revelação não parte do abstrato, mas balizado pela situação histórico-social da realidade onde se dá, a realidade escravocrata e exclusivista do capitalismo exige que a leitura, a experiência e a ação religiosa do ato libertador de Cristo tenham também forte conotação libertadora nesta direção econômico-social – política.
Mas a teologia da libertação que propugnamos não é nem radical tendo por base uma filosofia que justifique o conflito da classe, colocando-o como a natureza e a essência do desenvolvimento e propugne a resolução armada reduzindo e definindo o desenvolvimento.
        
- Nem reducionista: reduzindo e definindo o desenvolvimento unicamente a partir de sua ótica, dinâmica e dimensão ECONÔMICA. Por este alicerce–suporte este projeto missionário se revela profundamente crítico.
- Pelo objetivo central da missão de Cristo que era a libertação integral pessoa humana (Bíblia).
         - E por opção fundamental que era o excluído a Teologia da Libertação nada mais faz do que dar a este projeto de Cristo uma ótica e colorido local, respondendo aos desafios-apelos provocado pelo sistema capitalista dominante.

3.2. Tendo o leigo como protagonista:

         A laicidade deste projeto não pretende, nem concorre, nem se opõe e muito menos dispensa os serviços do ministério presbiteral.
         - Nem exclui a dimensão litúrgico sacerdotal, principalmente da eucaristia e penitencial.
         - Nem dispensar a administração e a prática destes sacramentos na missão, embora esta prática não lhe seja prioridade, uma vez que o objetivo desta primeira etapa é a EVANGELIZAÇÃO FUNDAMENTAL: “O Querigma”.
         O protagonismo leigo na missão simplesmente quer concretizar e por em prática a vocação sacerdotal natural, de todo leigo, decorrente do sacramento do batismo, crisma e matrimônio.

3.3. Uma pastoral integral e integrada

         A dimensão integral da ação libertadora de Cristo decorre da natureza do homem que não é um composto e antagônico: corpo E alma, mas uma unidade integrada corpo-alma: matéria espiritualizada, espírito corporificado.
         O ser humano não é só, nem preferencialmente matéria e corpo, nem só, ou preferencialmente alma, Espírito, mas, ao mesmo tempo, corpo-alma, matéria-espírito.
         Por isso uma pastoral integral não pode se preocupar e se interessar só pela parte especificamente religiosa e espiritual das pessoas. Tem que se preocupar e se interessar também pela saúde, de modo co-responsável, ou de modo subsidiário.
         É evidente e não devemos esquecer, que, na sociedade há setores e órgãos do governo, com a função específica de cuidar deste setor. Há situações, porém, de abandono do povo, e (ou) incompetência ou corrupção, autoridades em que a Igreja não pode se omitir, ou cor responsavelmente e a Igreja não pode se omitir nem deve se anteceder, ou substituir o governo, no que é de sua competência. O povo não pode ficar numa situação de carência existencial, sem as mínimas condições de vida material, ou física, por culpa de uma autoridade omissa, incompetente, ou corrupta. O próprio Jesus nos sugere, no seu evangelho, tal atitude, atravéz das obras de misericórdia: dar pão a quem tem fome, vestir os nus, libertar os encarcerados, dar de beber a quem tem sede, visitar os doentes (Mt 25-19).  E São João nos diz. “Quem ver seu irmão passar necessidades e não o socorre, como pode estar nele o amor a Deus”.(1 Jo 3,17-20).

3.4. Em cinco modalidades, ou formas

         A Igreja, principalmente através de seus papas é unânime em se afirmar que:

3.4.1. Essencialmente missionária, isto é: sua natureza, sua essência é ser missionária e a ação missionária é a sua ação essencial. Isto quer dizer que toda a Igreja, em toda a sua cultura, setores, e níveis e formas de ação e todo Cristão é missionário, no sentido de levar a primeira evangelização às populações, que ainda não a receberam, ou a receberam de modo muito precário, de modo que lhe permitam ser chamados de comunidade cristã.
(Mensagens para o Dia Mundial das Missões, no mês de Outubro: mês das missões).
         Ser missionário é pois sinal e prova de nosso autêntico amor a Cristo por conseguinte não ama a Cristo e não é Cristão quem não é missionário.
         Por isso toda a Igreja e todo cristão não devem poupar esforços e devem empenhar todas as suas forças nesta ação missionária.
         (Bento XVI – Mensagem para o Dia Mundial das Missões: 19/Outubro/2008).
         Isto não quer dizer, porém que todos têm que participar imediata direta, concreta e efetivamente de um grupo, ou uma ação missionária, da Igreja, diocese, Paróquia. Nem todos têm aptidões, vocação, condições e saúde para isto.
         Santa Terezinha tinha verdadeira paixão pelas missões e seu sonho era trabalhar numa área missionária. Mas nunca pôs um pé, ou deu um passo fora do mosteiro para ir à missão. Foi impedida por sua saúde precária. E a Igreja a declarou Padroeira das Missões, de 1ª Evangelização, junto com São Francisco Xavier.

3.4.2. Então temos de admitir várias modalidades no exercício desta natureza missionária de toda a Igreja e de todo Cristão.
                  Nosso grupo admite, então cinco tipos de missionários ou quatro modalidades de ação missionária:

Permanentes: São Cristãos que sentindo-se chamados por Cristo, saem de “Nápoles” e vão morar, conviver e trabalhar numa população em estado de 1ª evangelização, de modo definitivo, permanente, para sempre. Foi o meu caso e o de muitos outros no Brasil e no mundo, sentindo o chamado de Cristo.

Temporários: São os que decidem morar, conviver e trabalhar numa área missionária, não de modo permanente, nem para sempre, mas por um tempo determinado, por si, ou por sua comunidade, paróquia, diocese, Igreja, em geral de uma dois anos.

Ocasionais: São os que se sentem chamados por um tempo determinado, que se repete regularmente em certa ocasião, ou determinado tempo do ano como férias o exemplo.
         Terminado o período combinado, ou determinada pessoa, ou grupo tanto temporário, como ocasional, volta para sua comunidade de origem e seus trabalhos normais. É o que já temos aqui todo ano.

De apoio e retaguarda: São os missionários que não vão a área missionária, mas colaboram com orações, ajudas materiais, ou campanhas com o objetivo de angariar fundos e conseguir pessoas para a tarefa missionária.

         Finalmente o grupo S.O.S Missão: É um grupo específico composto por idosos e doentes, que não têm mais condições de ir a missão por causa da idade, ou saúde, mas como Santa Terezinha, assumem com paciência essas dores, incômodos sofrimentos inevitáveis, em espírito de sacrifício, os unem aos sofrimentos de Cristo, pregado na cruz, vendo neles valor de libertação dos irmãos e os oferecem pelas missões.

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