domingo, 27 de maio de 2012

Pentecostes

Evangelho (João 20,19-23)

Domingo, 27 de Maio de 2012 


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse:
“A paz esteja convosco”.
20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.









 
_Palavra da salvação.

_ Glória a vós, Senhor.



domingo, 13 de maio de 2012

Mamãe


Você que me deu o bem mais precioso: “A vida”
Me esperou com tanto carinho.
Me ensinou os primeiros passos.
As primeiras palavras.
Sua voz doce, cantando cantigas de ninar, me fazendo dormir e sonhar.
Um sonho sereno, tranquilo, sabendo que você estaria ali a me proteger.
Você que lutou, sorriu, chorou.
Mas não deixou a amargura tomar conta de seu coração.
Com você aprendi a ser “gente”
Que respeita “gente”.
Aprendi a ter fé, aprendi a aceitar os defeitos das pessoas.
Aprendi que o amor tem que ser incondicional.
Mãe, que Deus a proteja sempre, te ilumine, te dê forças para continuar sua batalha.
E que eu possa sempre sentir e ter esse amor maior em todos os momentos de minha vida.

Parabéns a todas as Mamães.....

quarta-feira, 25 de abril de 2012

17a. SEMANA DO TEMPO COMUM: 28 DE JULHO DE 2011

TEXTOS: Ex.40,16-21.34-38; Mt, 13,47-53
    INTRODUÇÃO:

   
1. PROCURANDO SENTIDO


Nas reflexões sobre os textos  da liturgia eucarística de ontem já falamos sobre a distinção e diferença entre liturgia e catequese. Por ser um momento celebrativo e não catequético os textos das leituras não têm uma correlação temática. Muitas vezes, aparentemente o texto de uma leitura nada tem a ver com o texto da outra ou do evangelho. É o caso das leituras de hoje.

Nós, que estamos preocupados de estabelecer esta correlação, é que temos que procurá-la, sem forçar, nem mudar o sentido do texto, mas esquecendo, muitas vezes, seu sentido literal e buscar um sentido, frequentemente  escondido, subentendido, ou latente nas entrelinhas. 

É o que temos que fazer para descobrir a ideia força e central da liturgia de hoje.



2. GRANDE SEMELHANÇA


O Evangelho de hoje é em tudo semelhante à parábola do Joio e do Trigo, só tem uma diferença:   lá se faz o julgamento tanto do joio como do trigo. Aqui se menciona só a condenação dos peixes maus. É a partir destas diferenças que se nota como a revelação não se dá fora, mas a partir e determinada por uma realidade concreta e específica. As circunstâncias de tempo, espaço e destinatários dentro e para as quais Jesus dirige a parábola do joio e do trigo e os objetivos que pretende são uns. As circunstâncias em que é contada a parábola da rede. O que Jesus pretende e a quem  quer atingir devem ser outros. Esta pode ser a causa da diferença. Por isso, antes de descobrir o sentido da palavra revelada, deveríamos estudar a realidade-endereço para a qual é destinada e que a determina. É o que chamamos de  dimensão, ou contexto histórico e sociológico da revelação, que não nos interessa agora.



MENSAGEM DO 17o.DOMINGO COMUM


TENDA E REDE


A primeira leitura continuando, a ler o livro de Êxodo, relata como Moisés dirige o término da construção do Templo, conforme as ordens de Javé. Estendeu a tenda sobre ele e dentro dela a arca contendo o documento da Aliança do Senhor com seu povo. Uma nuvem cobriu a tenda e a Glória do Senhor encheu o santuário. O Santuário-tenda era portátil, para que pudesse acompanhar o povo por onde o povo andasse. Presença contínua e inseparável. De dia uma nuvem pairava sobre o Santuário  e à noite se transformava numa chama de fogo. Os judeus só se punham a caminho depois que a nuvem se levantasse. Sem a presença de Deus nada faziam.

O evangelho nos conta a parábola da rede, que os pescadores laçam ao mar e pegam peixe de toda qualidade.  Depois de cheia puxam a rede e, sentados na proa, começam a selecionar os peixes, colocando os bons em cestos e jogando fora os maus. Jesus termina a parábola dizendo que no fim do mundo acontecerá a mesma coisa: uma seleção dos bons e dos maus, sendo os maus lançados num fornalha de fogo.

No final Jesus conta outra parábola comparando todo escriba convertido para seu discípulo, a um pai de família que tira de seu  tesouro coisas novas e coisas velhas.

Que experiência de vida podemos tirar destes dois textos do livro do Êxodo e do Evangelho da Comunidade de Mateus? 

A palavra de Deus é muito rica das mais variadas  experiências de vida. De um mesmo texto podem-se tirar variadas mensagens que iluminam as mais diversas situações de nossa vida.

Para a situação que estou vivendo no momento, os textos que a liturgia de hoje  apresentam, me sugerem  a seguinte mensagem de vida:


1. EMANUEL: DEUS CONOSCO


Para mim o nome que melhor diz quem é Deus é aquele que o próprio Deus disse que o povo lhe daria:  "EMANUEL": "DEUS ESTÁ CONOSCO". "Disse Deus a Acaz: "Pois saibam que o próprio Javé lhes dará um sinal". Uma jovem conceberá e dará à luz um filho,que será chamado " EMANUEL" : Deus está conosco (Is. 7,14).

Quem ama, quer estar junto. Este incompreensível amor de Deus que não o deixa desistir do desejo de estar conosco já vem de longa data: Podemos dizer que já começou na criação, quando ele nos deu a existência e nos fez participantes de seu ser e de sua vida, criando-nos à sua imagem e semelhança: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança...,.E Deus criou o homem à sua imagem. Á imagem de Deus Ele o criou" (Gen.1,26.27).

O filho leva sempre o pai junto  de si, por que tudo o que tem é herança biológica do pai. Assim, criando o homem e cunhando-o à sua imagem, Deus está sempre junto dele


2. O SANTUÁRIO


Desde Moisés Deus já revelou seu desejo de construir um Santuário, para tornar mais visível, real e sensível sua presença no meio do seu povo: "Faça um santuário para mim e eu habitarei entre eles" (povo) (Ex.25,8).

Justamente esta proximidade de Javé é o motivo pelo qual o povo pode se orgulhar e provar perante todas as nações, que seu Deus é Deus verdadeiro: "Que grande nação tem um deus tão próximo como Javé, nosso Deus?!" (Dt.4,7) Esta era, justamente, a característica do povo Judeu, no meio das demais nações: nas demais, os  deuses estão nos seus olimpos. Distantes, desconhecedores e desinteressados dos problemas do povo. O Deus dos Judeus não é um Deus distante, nem indiferente, mas alguém que armou sua barraca ao lado das barracas do povo, o acompanha passo a passo e luta com ele.


3. CRISTO DEUS EM CARNE E OSSO


O Novo Testamento registra um passo à frente neste incomensurável amor de Deus para conosco. No desejo de se aproximar da humanidade,  se fez próximo dos Judeus, no meio do Povo, entre o Povo. Em o Novo Testamento Deus vai mais longe.  No seu projeto de estar perto de nós,  resolve ser um DEUS-NÓS. UM DE NÓS. RESOLVE VIR PESSOALMENTE A TERRA, REVESTIR-DE DE NOSSA CARNE E SER HOMEM COMO NÓS. IDENTIFICAR-SE CONOSCO.... “e a palavra era Deus...E a palavra se fez homem e habitou entre nós". Agora Deus não mora mais em templo  de  pedra, nem em tenda de pano, mas assume nossa carne e se faz gente. Não mora mais NO MEIO , ou ENTRE nós. Mas É UM DOS NOSSOS, UM DE NÓS. (Jo, 1-18) Filho de uma mulher, como nós "Quando, pois, chegou à plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher".(Gal.4,4)



4. CRISTO UM DE NÓS


Mas a iniciativa de Deus é mais ousada ainda. Decidido a ir ao infinito de seu amor se decide não apenas a ser um homem a mais, mas SE IDENTICA CONOSCO. TRANSFORMA-SE EM NÓS E NOS TRANSFORMA NÊLE, ao ponto de São Paulo poder dizer: "Eu vivo, mas não sou mais eu quem vive, é Cristo que vive em mim. E esta vida, que agora vivo, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim" (Gl.2,20) "O que desejo e espero é não fracassar, mas agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo em meu corpo, tanto na vida como na morte. Pois, para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro" (Fl.1,20-21).

     

5. CRISTO-NÓS: COMUM UNIDADE



Ora, como Cristo é um só, todos os que se identificam com ele se tornam UM, entre si, em comum união (comunhão),  comum unidade (Comunidade). É o que chamamos IGREJA, que não é construção  material, ou pura união afetiva, ou grupo de amizade, de interesses, de ideias e ideais, mas unidade no SER. "Embora sendo muitos formamos um só corpo em Cristo, e, cada um por sua vez é membro dos ouros " (Rm.12,5)  "O pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo?. E como há um só pão, nós,embora muitos,somos um só corpo, pois participamos todos deste único pão" (1Cor, 10,16-17). Foi o que Jesus nos deixou como última oração, sua oração mais linda, a oração chamada sacerdotal a oração-testamento, antes de sua morte: "Eu não peço só por estes (os apóstolos), mas também por aqueles  que vão creditar em mim por causa da palavra deles, (e entre estes, nós) para que todos sejam um, como tu Pai estás em mim e eu em ti. E para que “TAMBÉM ELES ESTEJAM EM NÓS,...PARA QUE ELES SEJAM UM COMO NÓS SOMOS  UM. EU NELE E TU EM MIM PARA QUE SEJAM PERFEITOS NA UNIDADE.... E EU MESMO ESTEJA NELES" (Jo. 17,20-26).

A missão e função desta igreja é missionária: convidar, arrebanhar, e dar chance a todos, COMO UMA REDE. Para levar todos à salvação, pela fé em Cristo e seu evangelho. Mas este convite não pode ser coação, nem obrigar quem quer que seja  a aderir à fé, uma vez que esta tem que ser opção pessoal, consciente e livre a Cristo, e à comunidade, sua Igreja. Por isto, como numa rede, na Igreja sempre será comunidade de bons e maus, santos e pecadores, fazendo-a, também e por isso, santa-pecadora. 

Mas a Igreja também, com razão, pode ser comparada à ARCA, que continha dentro de si o documento da aliança: as TÁBUAS DA LEI. A Igreja é  depositária e guardiã do EVANGELHO: CAMINHO, VERDADE E VIDA, que é Cristo. Critério do bem e da verdade, que nos julga e deve ser desde já, como o será definitivamente depois da morte, o critério que nos indica o bem e o mal, o bom e o mau, ajudando-nos a saber separar o bem do mal, os bons dos maus, a quem escolher e a  quem seguir. 



6. O PAN-CRISTIANISMO, OU CRISTIFICAÇÃO UNIVERSAL-CÓSMICA


Mas o que estamos cada vez entendendo melhor é que Jesus, se encarnando, não se identifica só com a humanidade, mas com toda a criação, por que toda a criação é obra de Deus, foi criada e redimida por ele e, portanto, é FILHA DELE e NOSSA IRMÃ. ASSUMINDO NOSSA CARNE, CRISTO ASSUMIU TODA A NOSSA REALIDADE, NOSSO TEMPO, NOSSA HISTÓRIA. Revelando a integralidade do ser humano, que não é só corpo e matéria, nem só espírito e vida moral, espiritual, mas  tudo isto ao mesmo tempo, mais tempo, história, acontecimento. TEMPLO É, POIS, O MUNDO, A NATUREZA, O COSMOS. É isto que obriga o ser, a vida humana, a igreja e de toda a criação  ser DIÁLOGO, EM COMUNHÃO UNIVERSAL, CÓSMICA. E é POR ISSO QUE NADA RELACIONADO AO SER HUMANO  PODE SER PENSADO, INTERPRETADO E FALADO a não ser em relação com esta sua TOTALIDADE e nesta totalidade, COM CRISTO. Foi este processo que Teilhard Chardin classificou como CRISTIDIFICAÇÃO UNIVERSAL.

Esta consciência revoluciona todo o conceito de Encarnação, Igreja e tudo o que vimos nesta reflexão ......   



PARA SE QUESTIONAR



1. Nós, PRINCIPALMENTE se moramos AS MARGENS DOS RIOS, CERCADOS DE MATA, estamos aproveitando este ambiente   extremamente favorável à oração, à meditação e à experiência de deserto, para experimentar a presença de Deus ?

 

2. Estamos conscientes desta identificação de Cristo com todos os seres e esta consciência alimenta em nós profundo respeito para com todos os seres? 



3. Estamos conscientes de que mais importante do que a igreja material, como lugar de oração e recepção de sacramentos  é a Igreja-comunhão e comunidade?



4. A consciência de Igreja-comunidade nos está levando à participação ativa na mesma e à promoção da fraternidade?

 

5. Cremos na Cristificação de todos seres, ou que tudo está em relação e comunhão com o cosmos  e procuramos pautar nosso modo de ver, pensar e viver por esta fé ?



O R A ǠàO



SENHOR! TEU AMOR POR NÓS E POR TODAS AS CRIATURAS É TÃO GRANDE QUE FIZESTE TUDO PARTICIPAR DE TUA VIDA. E NÃO CONTENTE COM ISTO, ARMASTE TUA BARRACA AO LADO DA NOSSA, VIESTE AO MUNDO, PARA SER UM DOS NOSSOS, IDENTIFICANDO-SE CONOSCO E QUERENDO QUE NOS IDENTIFICASSEMOS CONVOSCO, TORNANDO-NOS UM COM OS IRMÃOS, E COM AS CRIATURAS COMO ÉS UM COM O PAI. ESTA É UMA REALIDADE QUE ULTRAPASSA NOSSO ENTENDIMENTO E MUDA TOTALMENTE NOSSO MODO DE VER, PENSAR E TODO O NOSSO COMPORTAMENTO. PEDIMOS SUA AJUDA, PARA QUE CONSIGAMOS TER ESTE MODO DE PENSAR E AGIR, PARA QUE POSSAMOS TORNAR REALIDADE TUDO ISTO QUE CREMOS. AMÉM!

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M Ã E    R I B E I R I N H A    R O G A I     P O R    N Ó S!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pare e Pense!!!

Aprendi que para ser feliz…

Aprendi que para ser feliz é preciso deixar o orgulho;
Devemos perdoar o que é imperdoável; 
Amar como nunca ousamos amar;
Viver no mundo, mas não participar dele.
Para ser feliz, não podemos trair e nem usar as pessoas; 
É enxergar a beleza interior e sentir o intocável;
Não é preciso ser rico, mas ser sua própria riqueza;
Confiar em Deus, mas também confiarem si próprio.
Não é ter várias, mas uma só pessoa;
É ter vários sonhos, mas realizar o mais importante;
Não se importar com a distância se o coração está por perto;
É sentir saudades de alguém que se viu alguns segundos atrás.
É preciso viver o sobrenatural com fé e ousadia; 
Não é preciso ver pra crer, mas sentir e acreditar; 
É ser o último pra ser o primeiro. 
É preciso conformar com a perda. 
É preciso de tempo sem precisar esperar. 
É preciso conformar com a perda. 
É preciso de tempo sem precisa esperar.
É dar sem receber e amar mais do que ser amado. 
Aprendi que para ser feliz temos que fazer as pessoas felizes...

Para Refletir...


Momento de Reflexão


É o momento de refletir
É o momento de agir
É o momento de pensar
É o momento de perdoar.
É o momento de fazer o que não se pode fazer…
É o momento de escrever
É o momento de desculpar
É o momento de clarear.
É o momento de reflexão…
É o momento de amar
É o momento de sermos amados
É o momento de dar e receber carinho
É o momento de se feliz.
É o momento de reflexão…
É o momento de um instante vivido
É o momento de uma dor sofrida e não esquecida
É o momento de lembrarmos e guardar.
É o momento de reflexão…
É o momento de partir e não voltar
É o momento de progredir
É o momento de construir
É o momento de despertar a mente.

Boa Semana Santa



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segunda-feira, 19 de março de 2012

E V A N G E L H O D A S Á G U A S

DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO COMUM

27 DE JULHO DE 2011 - QUARTA FEIRA



TEXTOS: EX. 34,29-35; MT. 13,44-46

INTRODUÇÃO

MUDANDO A ROTA
 Na festa de Pentecostes de 2011 criamos uma nova secção, em nosso blog da missão, intitulada MENSAGEM DAS ÁGUAS, através da qual sonhávamos fazer uma reflexão, pra os textos bíblicos das leituras da Liturgia Eucarística de cada dia. Logo, porém, constatamos que esta iniciativa não passava de mero sonho, por que esvaiu-se no ar como bolha de sabão. Prova disto é o fato já de estarmos no dia 12 de Março de 2012 e  termos parado de escrever estas reflexões no dia 26 de Julho de 2011. Portanto, duzentos e vinte e sete dias de   atraso e sem possibilidade de recuperação. Os trabalhos da missão e as férias, para nós que não temos notebook e ficamos muitos dias fora de casa impossibilitam totalmente acompanhar com estas reflexões a liturgia de cada dia. Por isso, longe de desistir, decidimos mudar a rota: Retomaremos as reflexões, a partir do dia 27 de Julho, como eram antes, mas, de agora em diante, sem nos preocuparmos com a data da celebração litúrgica do dia.

LITURGIA, NÃO CATEQUESE.

Se tivermos memória e espírito de observação constataremos que, não muito raramente, a liturgia repete, em geral, o evangelho e, também em geral, o  evangelho de algum  domingo anterior. A razão disto? Compete a algum liturgicista explicar. A nós, porém, baste lembrar a distinção entre LITURGIA e CATEQUESE
Liturgia é CELEBRAÇÃO do mistério. Catequese é APROFUNDAMENTO provocador de experiência do mistério, (não simples estudo) de modo orgânico, sistemático e progressivo.  Por isso  não se importa  com repetições, explicações racionais e desenvolver em cada celebração um tema, relacionando, numa  direção temática os vários textos, leituras e orações. Esta relação é feita por quem tem o interesse de captá-la, ou se servir dela, em vista de uma reflexão espiritual,  ascética, ou moral. Liturgia não é manual de espiritualidade,  e, muito menos, curso de catequese, ou evangelização. Por isso ela não tem muita lógica, nem preocupação temática, nem é ocasião para evangelização, em sentido específico.

A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA DE HOJE
Os dois textos de hoje: do livro de Êxodo e do Evangelho de Mateus, permitem-nos  tirar cinco mensagens de vida:
   
1. DEUS TOTALMENTE OUTRO. O INATINGÍVEL, O INACESSÍVEL.

Conta à lenda que um dia quando, Santo Agostinho, caminhando na praia, tentava entender quem era Deus, apareceu um menino, que fez um buraco no chão e, indo e voltando das ondas, enchia um dedal e jogava a água no buraco. Encabulado Agostinho perguntou ao menino: "O que você quer com isto?! Ao que o menino respondeu: O senhor está vendo aquele marzão, ali?! Pois eu quero colocar toda a água dele, dentro deste buraquinho!!" Dando largo sorriso o Santo exclamou: "Você está louco, menino! Como toda a água deste imenso mar vai caber dentro deste minúsculo buraquinho?!...  Ao que o menino retrucou:  Mais louco é o Senhor, que quer colocar a imensidão infinita do ser de  Deus, no minúsculo buraquinho de sua cabeça!!!" E desapareceu....!

O texto da primeira leitura de hoje, não nos conta o que aconteceu um pouco antes, no relacionamento entre Moisés e Deus. Moisés pediu a Deus que lhe permitisse contemplar sua face. Deus lhe respondeu que isto era simplesmente impossível, por que nunca acontecera de alguém ter visto a Deus e não ter morrido. Só seria possível vê-lo ”PELAS COSTAS" (Ex.33,18-20.23). Com isto Deus quis fazer Moisés entender o mesmo que o menino ensinou a Santo Agostinho:Deus não cabe em nossa cabeça. Enquanto estamos vivos o nosso modo de conhecer é através de conceitos, ou imagens, que captamos na realidade pela fantasia e a transmitimos ao cérebro. Ora de Deus não temos imagens, que nos permitam captá-lo  e transformá-lo em conceitos, que consigam representá-lo e  entende-lo. "Nosso conhecimento é limitado.... Agora vemos como por um espelho e de maneira confusa.... Agora meu conhecimento é limitado." ( 1Cor.13,9.12)  Só depois da ressurreição teremos condição, em um corpo espiritualizado, de vê-lo, não através de imagens, mas face a face, como Ele é. "As línguas cessarão, a ciência também desaparecerá. Quando vier a perfeição, desaparecerá o que é limitado... e então o conhecerei como sou conhecido o veremos face a face, tal como Ele é" (1Cor.23,8.10.12). Em outras palavras, o que Deus disse a Moisés foi, em síntese: para podermos conhecer e compreender, ou ver a Deus, como ele é, é preciso morrer e, pela ressurreição, nos transformarmos nele. Até lá só o conseguiremos ver "pelas costas..." isto é pela , "Que é um modo de já possuir o que se espera. Um meio de conhecer realidades que não se veem." (Hb.11,1)
2. TRANSFORMAÇÃO DO SER
Bastou à visão de Deus pelas costas para que o rosto de Moisés se tornasse resplandecente e irradiasse uma luz tão ofuscante que cegava quem o encarasse. Por isso Moisés foi obrigado a cobrir seu rosto, quando falava ao povo, transmitindo-lhe o que Deus lhe ordenava. (Ex.33,18-23; 34,29.30.34)
Na parábola Jesus diz que depois de encontrar o tesouro escondido no campo e a pérola de grande valor os dois personagens vão, vendem tudo o que têm  e compram o campo e a pérola.
Tanto a transfiguração de Moisés, como o total desapego dos dois personagens do evangelho, nos mostram que grande e profunda experiência de Deus, provoca também grande e profunda transformação e mudança, não só  NO  ser da  pessoa, mas  DO  ser da pessoa. É mudança ontológica, ou seja: Não é só ALGUMA COISA da pessoa que muda, mas é TODO O SER  da pessoa...   Isto está simbolizado no rosto resplandecente de Moisés e no total desapego e desprendimento dos dois personagens da parábola.  Quem faz  experiência de Deus se torna OUTRA pessoa. "Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim" (Gl.2,20) "Meu viver é Cristo e morrer, para mim é Lucro (Fl.1,21) 
E esta transformação é, ao mesmo tempo pré-condição e fruto da Aliança que Deus quer estabelecer conosco, tornando-nos seu povo. "Quando Moisés desceu da montanha do Sinai, trazendo nas mãos as duas tábuas da ALIANÇA." (Ex.34,29)
    
3. TRANSFORMAÇÃO QUE PROVOCA MEDO, HOSTILIDADE
"Aarão e os filhos de Israel, vendo o rosto de Moisés resplandecente, tiveram medo de se aproximar...." (Ex.34,30)
Toda mudança e transformação é vista como ameaça ao meu modo de ser, agir, pensar. Vindo  acompanhada de desinstalação, desacomodação, que provoca incômodo, novo modo de ser, perda de poder, mudança de mentalidade... e, por isso, provoca reação, que em geral se manifesta como admiração, medo de mudar, de perder o poder, de desinstalar-se e faz surgir oposição, hostilidade, levando frequentemente  à eliminação de quem mudou e se torna uma proposta de mudança.
Esta é a reação que perpassa toda a história da caminhada do povo de Deus pelo deserto. Esta é a temática e ideia - força  do Evangelho de São João, que ele resume no seu Prólogo: "Esta luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram apagá-la".... O mundo foi feito por ela (Palavra), mas o mundo não a conheceu. Ela veio para os seus, mas os seus não a receberam. (Jo 1,5.10.11)
   
4. A REVELAÇÃO: DIMENSÃO MISSIONÁRIA
A pele do rosto de Moisés resplandecia por ter falado com o Senhor.... Eles viram... E Moisés lhes transmitiu todas as ordens que tinha recebido do Senhor. (Ex. 34,29.30.31.35)
     "Vocês são o sal da terra. Se ele perde sua força, com que se há de salvar! Não serve mais para nada, se não para ser jogado no lixo e ser pisado pelas pessoas. Vocês são a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída  sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la, mas para colocá-la num candeeiro, afim de que ilumine a todos os que estão em casa. Assim brilhe vossa luz diante das pessoas para que, vendo vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai, que está nos  céus" (Mt.5,13-16)
A palavra, revelada a nós por Cristo não é para ser ciosamente guardada e escondida, mas para ser publicada e falada a outros, principalmente a quem nunca a ouviu, ou foi precariamente falada, ou ouvida. Ela tem um destino e  dinâmica missionária. Isto Jesus quis nos fazer entender através das parábolas do fermento e do grão de mostarda. (Mt. 13,31-33) A palavra tem uma força intrínseca, de expansão interna, que fermenta naturalmente a massa e faz crescer por e para dentro e uma força natural externa, que a faz se expandir por e para fora. Tem uma dimensão  missionária natural.
     Moisés se escondeu, para não esconder a palavra.  O homem que encontra o tesouro no campo e o vendedor de pérolas mantém os dois escondidos, para que ninguém os roube. A palavra de Cristo é como bola de futebol: Não pode ficar de posse, do jogador. Tem que ser passada.

5. CRISTO SE REVELA A TODOS, MAS NÃO DO MESMO MODO.
NEM TODOS ESTÃO PREPARADOS, OU DISPOSTOS.
    Não há a mínima dúvida de que Cristo não faz discriminação de pessoas  e se revela a todos igualmente. (At. 10,34--35; Rm.2,11). Mas também não há dúvida de que ele não revela tudo a todos ao mesmo tempo e do mesmo jeito. O patrão, da parábola contada por Jesus, não distribuiu, nem cobrou de seus servos a mesma quantia de talentos. Ao primeiro deu cinco, ao segundo dois, e ao terceiro um (MT.25,14-30). As sementes semeadas não caíram todas no mesmo tipo de terreno e por isso não renderam a mesma colheita. (Mt.13,3-9)
O sucesso da palavra e da revelação está na dependência do modo como a palavra é aceita, do nível de preparação daquele a quem ela é dirigida. Moisés disse a Javé ... “continua em nosso meio, mesmo que este povo seja cabeça dura..." (Ex.34,8).
Alguma coisa Jesus explicava só aos Apóstolos e discípulos e não a todo o povo: "A vocês é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não. Pois a quem tem será dado ainda mais, em abundância, mas daquele que não tem, será tirado até o pouco que tem... Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles são duros de ouvido e fecharam os olhos para não ver... e não ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração e não se coverter."  (Mt. 13,10-17;  Lc.8,18; Jo.12,40; At. 28,26) e seguintes: Ouvirão e não compreenderão. Tapar os ouvidos".  Ef.3,5: Deus não manifestou estes mistérios para as gerações passadas, como revelou agora. Hb 5,10. "Temos muito a dizer....mas é difícil explicar, porque vocês se tornaram lentos para compreender. Há muito tempo vocês deveriam ser mestres, no entanto ainda precisam de alguém que lhe ensine as coisas mais elementares. Em vez de alimento sólido, vocês ainda estão precisando de leite. Ora, quem precisa de leite ainda é criança......Alimento sólido é para os adultos que, pela prática estão preparados para distinguir o que é bom e o que mau." 1Cor. 3,1-3;2,6:. "Quanto a mim, não pude falar-vos como a homens maduros na fé, mas a uma gente fraca, como as crianças...Dei leite para vocês beberem, não alimento sólido, pois vocês não podiam suportar. Nem mesmo agora o podem...." "É a homens maduros que falamos."
"Vá e diga a esse povo: escutem com os ouvido, mas não entendam. Olhem com os olhos, mas não compreendam. Torne insensível o coração deste povo, ensurdeça seus ouvidos, cegue seus olhos para que ele não veja com os olhos nem ouça com os ouvidos, nem compreenda com seu coração, nem se converta, de modo que eu não o perdoe." (Is.6,9-10)
Estas palavras de Isaías, atribuídas, quase literal e  totalmente a Jesus, no Evangelho de João 12,39-40 e de Mateus 13,11-15 parecem fazer-nos entender que esta surdez, cegueira e oposição às palavras de Deus e dele são desejos e castigos  pessoais  infligidos por eles a quem não aceita sua palavra. Mas temos outra palavra, também de Isaías 42,3, também atribuída a Jesus, pelo Evangelho de Mateus 12,20: "O Servo de Javé não esmagará a cana rachada, nem apagará o pavio que ainda fumega". Lemos também no profeta Ezequiel: 33,11:"Não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva."
Depois destas palavras de Isaías, Mateus e Ezequiel somos obrigados a mudar nossa primeira interpretaçãoAli o profeta   e  o evangelista usam uma linguagem antropomórfica (falam à moda humana), colocando nas costas de Deus, ouvi de Cristo o que é de responsabilidade totalmente humana. A bondade e misericórdia de Cristo superam, de muito a maldade humana, como Ele mesmo mostrou na parábola do “Filho Pródigo”. (Lc.15,11-32)
Diante disto, o que temos que afirmar, então, é que Cristo, sem nenhuma discriminação revela sua verdade a todos, mas não de uma vez, ao mesmo tempo e do mesmo modo, mas respeitando o estágio de crescimento e compreensão e a vontade, disposição e aceitação de cada um.
É por isso que a evangelização, para um povo em estágio de missão, isto é de pouca formação e informação tanto religiosa como escolar, tem que começar pelo B, A, BA da religião, ou seja, pelas verdades fundamentais, mais elementares, pelo modo mais simples e compreensível.  Reduzida ao campo da evangelização, para só na etapa seguinte, começar a falar  e ministrar os sacramentos.

DIANTE DO QUE VIMOS DEVEMOS NOS PERGUNTAR:

1. Será que não estou caindo no erro de Santo Agostinho ao querer fazer Deus caber na minha cabeça? Minha religião é baseada na fé ou na razão?
2. Minha experiência de Deus, através da religião, está provocando em mim  profunda mudança de meu ser? Está, de fato me fazendo outro?
3. Como estou trabalhando as reações que minha mudança provoca em mim mesmo, na minha família, na minha comunidade: Estou sabendo entendê-las, ajuda-las a crescer? Ou estou me isolando, desprezando-as, hostilizando-as, ou fugindo?
4.  Estou procurando, em espírito missionário, passar aos outros as experiências que faço de Deus? Ou guardo-as egoisticamente só para mim?
5. Estou procurando acelerar meu crescimento, sem queimar etapas, para poder cada vez mais rapidamente estar mais disposto, apto,  para receber, como adulto os alimentos sólidos que a religião me oferece?

ORAÇÃO: SENHOR, COMO SAMUEL QUERO LHE DIZER COM A MESMA ACEITAÇÃO, DISPONIBILIDADE E PRONTIDÃO: "FALA, SENHOR, QUE TEU SERVO ESCUTA (I Sm. 3,10), CONHECES, PORÉM, MEUS LIMITES, MINHA FRAQUEZA,  MINHA INCONSTÂNCIA. POR ISSO  A GARANTIA E CERTEZA DE MEU SUCESSO ESTÁ NA MINHA BOA VONTADE, NO MEU ESFORÇO E, ACIMA DE TUDO, NA TUA GRAÇA. QUE EU LHE IMPLORO. AMÉM!

NOSSA SENHORA DOS RIBEIRINHOS, ROGAI POR NÓS!